quinta-feira, 16 de julho de 2009

DO DESTINO E DA PACIENCIA


Hoje abandono, de birra, os "temas bípedes".



Não sei afinal de merecemos tanta atenção, depois das chances que a natureza nos deu, e que solenemente desperdiçamos.

Vou aos de quatro patas, especialmente aos cachorros.

Enquanto escrevo Woody Allen, um anjo que Deus enviou para velar por mim, e se tornar companheiro de um móbile, dorme seguro ao meu lado mesmo tremendo de frio, e sonhando com alguma atenção.

Em outro blog, já dediquei algumas linhas ao meu amiguinho, mas acho que ele merece algo mais elaborado.

Chegou pequeno e pulguento... alguns juram que tinha até um carrapato, e determinado a destuir tudo que encontrava no caminho, de fios elêtricos a dinheiro, passando por sapatos, rádios e celulares.

Sua primeira aventura, encontrar com o dono, já que ele me foi presenteado enquanto estava em Salvador, no meu aniversário. Mal nos conhecemos e o grude começou, tipo chiclete com banana.

Sua primeira casa foi no lugar que mais ama, Teresopolis, na Região Serrana do Rio.


Moravamos no lugar mais alto e frio da cidade, sujeito a densas nuvens de cerração, que entravam pelas janelas e o faziam pular, minusculo briquedinho de pelucia, tentando agarra-las, com os dentinhos, cena de filme, e assim ficava por horas, como bebê, até se cansar e pensar na proxima que ia aprontar.

Tinha especial atenção pelos muros da vasta mansão de Hans Stern, esse mesmo o gênrio por trás da H. Stern; nele depositava alegremente e de forma ordenada, a cada cinco ou seis metros, pequenas bolotas de cáca. Pipi, para cada arvore um pouco, como que para dizer, se manca que voces não são donos de nada, tudo lhes foi emprestado... Em vão.


Uma caracteristica do Woody, a extraodinaria capacidade de não se deixar vencer. Não porque seja um cachorro malvado, mas porque é dotado de uma paciencia enorme voltada apenas e tão somente a converser pelo cansaço, ou pela rouquidão.

Mimado por todos, porque é fofo e tem cara de bebe apesar dos seus quase 15 anos, a foto ai é recente do Natal passado. E também porque é sedutor.

Acha que qualquer visita "é de Woody" (uma das frases que aprenseu a associar a presentes ou guloseimas, mas cuidado ao pronuncia-la, porque ai perdeu, seja um travesseiro, um chinelo ou um pen drive).


Monopoliza, meus amigos que o digam, um apos outro dos presentes, e depois lhes dá o derrière de plume como resposta, coisa de Bichon dizem, acho que é do carater da criatura.


E haja carater, quando enfia na sua cabecinha uma coisa, nem tente demove-lo da ideia, pois se pintou na cabeça dele, é fixa.


Seja a de esconder um pedaço de biscoito com o nariz entre as almofadas cavando por estinto e vigilante aos passos de todos que se acercassem do local, seja com seus brinquedinhos, Josefina a mais recente amizade, que o diga pobre decaptada...


Escorpiano, deveria ser meu inferno astral. mas eu terminei por ser o dele, submetendo-o a gente e lugares que ele não merecia sequer ter avistado de longe. Minha querida mãe me dizia cigano, e se condoia do fato de que o Woody tivesse que me acompanhar em minhas andanças, e padecer de minhas inquietudes.


Me permita, minha mãe, mas sinto discordar.


Acho que o que me leva a querer viajar são os olhos de Woody, seu olhar de monje, de desprendido, olho de bicho, puro, transparente.


Não sei se algum de voces já se ocuparam em observar os olhos de um animal, qualquer que seja, dos selvagens tigres, aos pequenos pardais, parecem sempre tão focados, e ao mesmo tempo tão translucidos. Pode-se ver atraves de suas pupilas, e o que se observa, em qualquer caso, é de uma riqueza indescritível.


Lembro-me de uma cronica do Carlos Heitor Cony, na qual ele lembrava que costumava odiar cachorros até que lhe presentearam com uma vira lata carinhosa, que o acompanhava noite adentro enquanto trabalhava. Ao fim da vida de tal companheira, concluiu, que os animais falam, só decidiram permanecer calados, para que pudessemos lhes contar, em nossa eterna tagarelice, nossas mazelas.


Está certo. Quantas de minhas lagrimas não foram secar nas costas peludas de Woody, em sua cabeça de pom-pom. Quantas vezes ele me mirou os olhos e me disse sem palavras, calma, eu estou por aqui... ainda.


Uma música dos Mutantes, Vida de Cachorro, traduz com precisão meu sentimento por Woody:


"Vamos embora companheiro, eles estão por fora do que eu sinto por voce.


De-me sua pata peluda vamos caminhar, sentir o cheiro da rua.


Me lamba o rosto, meu querido, lamba.


E diga que voce tambem me ama.


Eu quero ver o seu rabo abanando, vamos ficar sem coleira.


Vamos ter cinco lindos cachorrinhos,


Até que a morte nos separe, meu amor !'


Todas as vezes que ouço esta musica não consigo controlar o desejo de dizer a Woody como vai ser dura a hora em vamos nos separar, eu primeiro, para preparar para ele um lugar confortável e seguro, arrumar seu cantinho, seus briquedinhos inefáveis remontar suas bolas de neblina, seu biscoito preferido e recebe-lo em sua ultima morada.


Ele sabe, não pode ir antes de mim. Já perdi o que mais amava... Perde-lo seria mesmo o fim.

Hoje, vejo que muitos programas de televisão tem se dedicado a nos ensinar como "disciplinar" nossos bichos, com cenas bizarras de cachorros, em especial, agressivos ou nervosos, ou daqueles que simplesmente aprontam. Assisto com tristeza, e admiro que grande parte de sua audiência seja de amantes de animais.

Woody vive de forma livre, e tem todo o direito de manifestar sua insatisfação com minhas longas ausencias ou com o fato de, as vezes, e para conveniencia de estranhos, ficar confinado a parte do "seu" territorio.

Seu Tio Paulo, que cuida dele com tanto carinho e desvelo, as vezes vai a loucura quando assiste ele simples e descaradamente, levantar uma perninha e mandar ver onde bem queira. Eu me enfureço mas perdoo de pronto... afinal, quem vale mais, um movel, ou seja la qual tenha sido o alvo, ou esta criatura "celestial' como insistem as Tias Soraya e Martha ?

Celestial ou não, esse meu adorável sedutor será sempre uma estrela na minha constelação de almas boas.


Amigo, espero que quando me for, não deixem de te levar ao meu funeral, e que deixem voce lamber meu rosto frio, e me dar seu ultimo beijo. Vou estar esperando por voce, eu e sua avo, e sua bisa e Stephen, e tantos outros que jamais tiveram o prazer ter você em seus braços.

Vida longa e prospera !


Agora, vamos deixar o computador pra lá, hora de brincar... Woodyyyyy !

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