
Companhia desaconselhável para mim mesmo, quiçá para os demais.
Meio Pierot, meio Arlequim, por isso mesmo de humor mestiço.
Desinteligente aos meus olhos, e desimportante aos dos demais, passo sem deixar rastro.
Se me ver desvie os olhos, venho dos nichos lamacentos da Idade Média. Os que me enxergam vêem apenas um Espectro. Os que me guardam no peito são Almas Antigas e Benévolas.
Em minha bainha carrego uma vetusta Espada, em meu Manto marcas de sangue, em meu alforge vinagre, em meu bolso pão sem Fermento, e em minha bolsa uma Cabeça que guardo com denodo.
Procuro um Túmulo e uma Rosa, desde tempos imemoriais.
O destino me escolheu um Eremita, um ser destinado ao Desamor.
Meu povo se chama Diáspora, meu mestre o Espelho de minha alma. Minha terra os Desertos do mundo, meu destino o pó das estrelas.
Em meu rosto tenho, ainda, a cicatriz deixada pelo meu algoz.
Ainda queres me conhecer ?
4 comentários:
Difícil comentar este texto, desperta o fascínio pela beleza com que foi construído e intrigante pela força e profundidade de suas palavras.
É puro simbolismo oculto, menos simples que parece.
A vida sem alma, é uma impossibilidade na essencia. Podemos questionar das almas boas ou más. Mas para todas o caminho é unico e inevitavel a liberação. vlw pelos comentários e insights.
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