
(...) Antes de começar a ler este post RESPIRE PROFUNDAMENTE PELO NARIZ, LENTAMENTE, DEPOIS INSPIRE, TRÊS VEZES, SINTA O AR PASSAR POR SUAS NARINAS, ENTRAR EM SEUS PULMÕES E DEPOIS EXPIRE, SINTA O AR PASSANDO POR SUAS NARINAS, MANTENHA A ATENÇÃO PLENA NO MOMENTO ENTRE A INSPIRAÇÃO E A EXPIRAÇÃO... NESSE CURTO MOMENTO SEU EU DEIXOU DE EXISTIR, ENTRE UMA INSPIRAÇÃO E UMA EXPIRAÇÃO, NESSE HIATO, APENAS SINTA, NÃO PENSE.
"Mas, ¿qué mucho que yo perdido andepor un engaño tal, pues que sabemosque nos engaña así Naturaleza?Porque ese cielo azul que todos vemosni es cielo ni es azul. ¡Lástima grandeque no sea verdad tanta belleza!" [Lupercio o Bartolomé Leonardo de Argensola]
A felicidade pode estar nesse momento em que sua respiração parece cessar de existir, talvez até mesmo a essência de seu ser encarnado e confuso estejam ai.
Repita o exercício tantas vezes quanto quiser ou precisar para entrar continuar na onda do "papo cabeça" que começou no post anterior.
Aliás Bereshit, seu título, é " O princípio", não no sentido ético da palavra, no sentido de "Começo", "Gênesis", é uma palavra hebraica, e está escrita lá no início do gênesis... Não uma gênese, mas "O Gênesis", o início por excelência.
Em cada post vou propor a tradução e o sentido do título anterior, assim mantenho você alerta e fiel à leitura. Não vale pular o texto, mesmo porque vou disfarçar o sentido no texto...
Vamos ao gancho, não ao capitão, mas ao pulo do gato.
A felicidade é um produto da mente, já que é mediante a aplicação dos seus atributos que a extraímos dos fatos da vida.
Para que isso ocorra, é preciso que a mente tenha como coadjuvante os sentidos, esses mesmos, os que você esta acostumado a utilizar quando esta desperto, a visão, a audição, o tato, o paladar, e cada sentido desse tem um objeto. Assim é que via de regra, cada um deles recai, de modo mais intenso num objeto que lhe é "adequado", não significando que, para obter prazer ou repulsa, você recorra a um só deles, às vezes recorremos até a sentidos pouco "acionados", menos conhecidos, como a presciência, mas isso é tema para outro post.
Quando somos privados de um sentido, ou de um objeto que serve de veículo para sensações de prazer a ele ligado, dizemos que estamos infelizes, isso porque estávamos "apegados", ora a sensação, ora ao objeto.
O cheiro do meu "filhote" Woody, por exemplo, mesmo quando está precisando de um banho, encontro nele sempre o cheiro de filhote que eu senti na primeira vez que o tive nos braços. Cheiro de "bebê-cachorro". Só eu sinto, os demais, mesmo os que ele seduz, ou sentem cheiro de cachorro molhado ou cheiro de cachorro limpo, acho esse maniqueísmo chato.
A trama dos sentidos, encontra sua grande vilã na mente. Ela é o grande tear das tramas da vida, nos fornece as percepções e o "material" sobre o qual se debruçam nossas sensações de felicidade e seus contrários. Pudéssemos acalmar a mente, e o maniqueísmo cessaria, a falsa percepção de que a alegria deveria ser eterna e as desventuras tão duradouras quanto um piscar de olhos.
Ela nos faz considerar um dia chuvoso mais ou menos aborrecido que um dia ensolarado, a depender do gosto. Deixamos, com isso de apreciar as doçuras de um dia nublado, húmido, enevoado ou branco de neve, ou as delícias de uma manhã radiante e um céu azulado, desprovido de nuvens, quente e suado.
Voltando aos sentido, quão falhos e limitados podem ser. Quando vemos um folha por exemplo, ou melhor uma estrela, pensamos que estamos vendo esse tal objeto, como se ele fosse "real".
Na verdade, e essa também pode ser relativa, estamos tendo as nossas retinas estimuladas por "partículas-ondas", às quais o nosso "cérebro-mente" dá o sentido de folha, de verde ou dourada a depender da estação, com cheiro de mato ou de "nada", se viva ou ressequida. Esse "nada" pode ter cheiro também, o que leva o entrelaçar de sentidos. Se chegamos a mastigar a "folha" ela vai adquirir um sabor, agradável ou não, e neste sabor todas as suas nuances, o doce, o azedo, o amargo, o sabor de "nada" que alguns sentem em algumas folhas, e mais uma vez um nada agradável ou desagradável.
E as estrelas, essas podem nem mais existir, já que estão a milhares de anos-luz de nosso planetinha azul. Estamos sempre a contemplar nos céus o passado, mesmo o dos astros mais próximos.
A luz do sol quando refletida pela lua, demora em média 1,3 segundos para completar a distância que a separa da Terra. Isso mesmo, essa luz já nos chega 1,3 segundos do passado.
Já a luz da Proxima Centeuri, a estrela mais próxima de nós depois do Sol, demora 4,22 anos para chegar a nossos céus. Se pensamos que não temos o poder de ver o futuro, o passado não nos parece tão distante quando olhamos maravilhados o céu, que aliás não é negro nem azul.
E aqui fechamos este círculo, um céu que não é abóbada, nem é céu, nem é azul...
UM SUSPIRO...
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