terça-feira, 17 de março de 2009

BERESHIT

Bereschit...






Sendo a felicidade a habilidade de extrair, dos fatos da vida, sentimentos harmônicos, conclusão essa a que cheguei à sombra de mestres, avatares e principalmente da experimentação de reincidentes episódios de decepções e desapropriação, fui instruído, pelo meu espelho interior e ritual, espada e broquel, a retomar, na forma de reflexões às avessas, a atividade de divulgação de insights absolutamente inúteis aos meus desiguais, mas de certa serventia ao leitor compulsivo, e aos amantes dos estilos bizarros, sem falar dos amigos e familiares, irmão e irmãs de sangue e de alma, que virão aqui, apenas por compaixão para com o escriba.


O pensamento que encima a longuíssima introdução, se agrupou durante meu segundo período de longa insônia, setenta e duas horas de insana vigília, no lugar mais aprazível do sul extremo das Américas, a cidade de Santa Maria del Buen Aire, conhecida ainda, pela recente horda de compatriotas "sonorosos" que invadiram suas ruas semi europeias, como Buenos Aires.


A insônia, recorrente e, creio, inevitável aos espíritos lúcidos e atormentados, e não só dos endividados, das cabeças coroadas por chifres e corações partidos, será um tópico de outra reflexão, não resultante, espero, de mais três noites e dias de privação de meus companheiros, o cloridrato de trazodona (que possui efeitos colaterais muito interessantes ao público masculino e aos fumantes em geral) e os clorazepam em número de 2, formando uma primeira tríade, pálido reflexo das emanações médias da sephirot.


Creio que, a esta altura, já perdi dois terços de meus leitores, o que não chega a me incomodar, já que a tal da unanimidade parece que é mesmo jumento (o termo burra me doi os ouvidos, por razões zoológicas e vernaculáres, com a devidade vênia do pornógrafo imbecíl que decretou o fim do consenso e da respeitabilidade de muitas famílias de classe média carioca, em causa própria ao que parece, acerca do qual retorno oportunamente, e com mais raiva).


A Felicidade está na raiz de quase todas as religiões e filosofias, das artes, e parece impelir toda e qualquer atividade humana, incluídos ai os masoquístas, já que do sofrimento parecem obter Satisfação, sendo esse último sentimento, irmão gêmeo do primeiro, a tal ponto de com ele ser, não raro, com ele, confundido.


Continua...


Bibliografia recomendada: os clássicos Sepher Yetzirah (qualquer versão, prefiro a de Isidor Kalish), o Zohar, Elogio da Loucura de Erasmo de Rotterdam, e os mais contemporâneos Felicidade de Eduardo Gianetti e A Voz do Conhecimento de Don Miguel Ruiz com Janet Mills, passim.


Visite: http://www.psyche.com para conhecer a quadratura dos círculos.

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