
Atenção ! Nesse momento, seu corpo composto por ondas e partículas foi atravessado por trilhões de neutrinos vindo dos mais longíncuos recantos desse Universo.
O que aqui estava agora está ali, seus sentidos não bastam, nem sua mente para entender.
O Universo é uma Líla divina, uma jogo de esconde-esconde intencionalmente forjado pelo Cosmo.
Nada haver, o assunto é outro.
Me surpreendi essa semana pensando no quão triste é o fato de que nossa memória seja tão cruel, a ponto, de fazer desaparecer aos poucos as lembranças mais caras das pessoas que amamos, e que não estão mais em contato conosco, por qualquer motivo que seja.
Que ela lance no lixo cheiros, sensações táteis, sabores, e sons.
Nessa encruzilhada, de meias prioridades, temos que cuidar de tantas coisas sem sentido, e por ai vamos, substituindo memórias gravadas a suor e sangue, ora por datas de aniversário que o orkut nos lembra, de pessoas que sequer fazem qualquer sentido em nossas vidas minimalistas, ora, pelas contas a pagar, as unhas para aparar (afora as mulheres alguém conhece coisa mais aborrecida que cortar as unhas), o carro para lavar, abastecer, as chaves para lembrar de não esquecer, leis, falsas mesuras, beijinhos (um em paulista, dois em cariocas e três nos sem noção), o caminho de casa, o nome de um filme, a lista de compras, e por ai vai o nosso desgastado e mal usado cérebro se desmemoriando do que é relevante e se entulhando de coisas sem sentido.
Graças a Deus hoje não precisamos ainda recordar números de telefone, e-mails... Mas e as senhas quantas são as senhas que nos aguardam no futuro.
E eu que me encontrava sozinho em minha sala lotada de processos, tentava lembrar da voz de minha avó morta em 1998 e não conseguia.
Que tragédia pensei, devia ter gravado sua suave voz de matriarca, que se fingia de surda para escutar os assuntos mais escabrosos da família, e depois vinha me indagar dos mesmos, "mas que estória é essa de que sua prima está numa 'produção independente' ?"... Riamos, e eu fazia de conta que acreditava em sua surdez seletiva.
Fiquei aterrorizado com a possibilidade de esquecer algum dia a voz de minha mãe, falecida a poucos meses, seu sorriso, seu omnipresente choro, sua voz de passarinho nos últimos e doloridos telefonemas.
Creio que é no momento que essa ultima lembrança se apaga, a da voz, que perdemos contato real com os entes amados que se foram. Talvez por isso busquemos, alguns, reconhecer na voz dos "meios" (mediuns se preferirem a horrorosa nomenclatura espiritista), a daqueles nossos queridos.
E porque o quantum, e porque as bananas fritas, vocês já devem estar se perguntando.
Porque, esta foi a ultima coisa que minha mãe me preparou no café da manhã do ultimo dia em que a vi com saúde. Muitas outras vieram depois mas nenhuma como aquelas, devia ter fotografado.
Lembro de olhar para a sua nuca suada, enquanto ela se virava e saia do quarto me recomendando que não sujasse o edredon de café (coisa quase impossível para mim, um desastrado de anuidade e carteirinha), e para alguns poucos fios de cabelo que começavam a reaparecer por ali e pensar, que sofrida minha mãe... Nâo sei porque essa imagem ficou gravada em minha mente, grudada na minha retina.
Depois disso tudo virou memória, nunca mais nos vimos e só pude tocar sua pele e olhar com cuidado sua nuca já no hospital quando nenhuma comunicação era possível. Sua nuca continuava ali, de mulher guerreira, de pescoço teima em não se dobrar.
O quantum, bom, esse acabou de nos propiciar essa curta viagem ao passado, e a implantar em suas memórias um pouco das minhas para que elas nunca, jamais se apaguem. Dia desses voltamos a ele.
Que ela lance no lixo cheiros, sensações táteis, sabores, e sons.
Nessa encruzilhada, de meias prioridades, temos que cuidar de tantas coisas sem sentido, e por ai vamos, substituindo memórias gravadas a suor e sangue, ora por datas de aniversário que o orkut nos lembra, de pessoas que sequer fazem qualquer sentido em nossas vidas minimalistas, ora, pelas contas a pagar, as unhas para aparar (afora as mulheres alguém conhece coisa mais aborrecida que cortar as unhas), o carro para lavar, abastecer, as chaves para lembrar de não esquecer, leis, falsas mesuras, beijinhos (um em paulista, dois em cariocas e três nos sem noção), o caminho de casa, o nome de um filme, a lista de compras, e por ai vai o nosso desgastado e mal usado cérebro se desmemoriando do que é relevante e se entulhando de coisas sem sentido.
Graças a Deus hoje não precisamos ainda recordar números de telefone, e-mails... Mas e as senhas quantas são as senhas que nos aguardam no futuro.
E eu que me encontrava sozinho em minha sala lotada de processos, tentava lembrar da voz de minha avó morta em 1998 e não conseguia.
Que tragédia pensei, devia ter gravado sua suave voz de matriarca, que se fingia de surda para escutar os assuntos mais escabrosos da família, e depois vinha me indagar dos mesmos, "mas que estória é essa de que sua prima está numa 'produção independente' ?"... Riamos, e eu fazia de conta que acreditava em sua surdez seletiva.
Fiquei aterrorizado com a possibilidade de esquecer algum dia a voz de minha mãe, falecida a poucos meses, seu sorriso, seu omnipresente choro, sua voz de passarinho nos últimos e doloridos telefonemas.
Creio que é no momento que essa ultima lembrança se apaga, a da voz, que perdemos contato real com os entes amados que se foram. Talvez por isso busquemos, alguns, reconhecer na voz dos "meios" (mediuns se preferirem a horrorosa nomenclatura espiritista), a daqueles nossos queridos.
E porque o quantum, e porque as bananas fritas, vocês já devem estar se perguntando.
Porque, esta foi a ultima coisa que minha mãe me preparou no café da manhã do ultimo dia em que a vi com saúde. Muitas outras vieram depois mas nenhuma como aquelas, devia ter fotografado.
Lembro de olhar para a sua nuca suada, enquanto ela se virava e saia do quarto me recomendando que não sujasse o edredon de café (coisa quase impossível para mim, um desastrado de anuidade e carteirinha), e para alguns poucos fios de cabelo que começavam a reaparecer por ali e pensar, que sofrida minha mãe... Nâo sei porque essa imagem ficou gravada em minha mente, grudada na minha retina.
Depois disso tudo virou memória, nunca mais nos vimos e só pude tocar sua pele e olhar com cuidado sua nuca já no hospital quando nenhuma comunicação era possível. Sua nuca continuava ali, de mulher guerreira, de pescoço teima em não se dobrar.
O quantum, bom, esse acabou de nos propiciar essa curta viagem ao passado, e a implantar em suas memórias um pouco das minhas para que elas nunca, jamais se apaguem. Dia desses voltamos a ele.
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