
Esses dias têm sido bem difícieis para os que odeiam feriados comerciais, que se multiplicam aos zilhões, mas especialmente para os que como eu já perderam suas mães.
A Tim tem promoção, a Claro também, a Vivo, que é viva, também, e as lojas de departamento, shoppings, estamos sendo bombardeados pela chegada do dia das mães.
Alguns reputariam por justa a luta dos comerciantes para lucrar e o direito das mães em receber um pouco mais de atenção neste tal dia.
No budismo somos ensinados a respeitar todas as criatura vivas como nossas mães, mesmo aquelas que não podemos enxergar. Eu vou além já que acredito em outras formas de vida não baseadas em carbono e também acrescento ao rol, os seres do reino mineral.
Diz o dharma, que todas as criaturas foram em vidas passadas nossas mães, e como ainda existe muito respeito por elas na cultura oriental, devemos prestar respeito e ter a mesma consideração por todos como se estivessimos a tratar com nossas próprias mães nessa encarnação.
Isso nos ajuda também com sua perda, porque passamos a enxergar infinitas formas de resgatar nossas mães em outras pessoas, e nelas enxergar seus conselhos, seus cuidados e sua determinação em não nos deixar desviar do bom caminho.
No ocidente resumimos muito o campo de consideração às mães, ou são as nossas próprias, ou nossas avós, ou nossas tias, enfim pessoas com as quais de uma forma ou outra temos um contato mais estreito e que nos dedicam uma atenção especial, materna.
Até instituições podem ser consideradas mães, como a Pátria, mas todos os seres, quase nunca.
As mães podem, na origem, serem consideradas refúgios "sanctuary", no sentido saxônico da palavra, uma vez que nelas nosso veículo corpóreo se abriga enquanto nossa alma busca a melhor circunstância para encarnar. Também tomamos nelas refúgio quando a vida parece nos dizer não, quando os amigos não bastam, não bastam os irmãos, o trabalho, e em nada encontramos resposta e conselho.
Recomendo uma releitura do seu conceito de mãe, incopore a ele mais gente, gente de todo tipo, até mesmo seus inimigos. Inclua a Terra, lugar comum no orientalismo de boutique, essa que a nós todos nos acolhe num abraço holístico (outro termo desgastado), renovando a cada giro a alquimia da vida.
Mães podem ser nossas "secretárias", as faxinheiras dos nossos escritórios, as caixas de supermercado, a mulher que dirige (mal) e nos obriga a exercitar a direção defensiva, as primas e as "primas", nossas chefes e nossas "D. Encrencas", que de tantas enrascadas nos livram com destemor.
A Virgem, mãe das mães, Maya, Lakhsmi, a mãe de Moisés que pela fé colocou seu filho num cesto e embalou nos braços do destino, Amina a mãe de Maomé, que deve ter lhe ensinado muito mais amor que aquele que seus seguidores praticam. A elas e outras, nossa admiração.
Esse post vai para uma supermãe, mãe de muitos filhos que não pariu, Célia, minha mãe-diarista.
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