Vande gurucharanaravinde charanaravindeSandarasita svatma sukhavabobhe
Nishreyase jangalikayamane
Samsara hala hala moha santyai
Hala Hala
Ahahu purusakaram sanka cakrasi
Ahahu purusakaram sanka cakrasi
Daharinam daharinam sahasra siraram
Dararinam daharinam sahasra sirasam
Vande
Om Shanti, Om Shanti
Shanti, Shanti
Shantay Om !
Em nossa eterna busca pela Felicidade, essa mesmo, com F maiúsculo, não raro nos deparamos na esquina das ruas "É Impossível Ser Feliz Sozinho" com "É Preciso Aprender a Só Ser".
A despeito de toda minha admiração pelo romantismo de Vinícius, o poeta, não a rua, sempre me intrigou o incrível jogo de sentido do gênio de Gilberto, não o Amado, o Gil.
É preciso aprender a Só Ser...
Temos ai duas leituras possíveis, ambas desafiadoras. O atalho da solidão, e o caminho do Hinayana ou pequeno veículo, não por acaso, uma das mais admiradas vertentes do budismo no Ocidente individualista, e subjascente aos nossos maiores anseios.
No atalho, às vezes nos encontramos por falta de opção, ou por excesso de opções. Na ausência delas dizemo-nos abandonados, desacompanhados, com frio, escuros por dentro. Isso talvez porque tenhamos simplesmente desaprendido o verdadeiro sentido da solidão, e seu inestimável valor.
A solidão pode ser ruidosa, quando experienciada em meio à multidão ou no curso de relações sem sentido, ou objetais. Os outros estão presentes, mas o sentido de sua presença não. Exilou-se. Esta a tal solidão a dois, a solidão dos que não nos escutam, mesmo que podendo, ou que finjem que o fazem, pelas mais diversas razões. Há também a dos doentes, dos abandonados, dos desvalidos, todos em algum sentido sozinhos na sua impotência. É a solidão da impotência.
Relacionamentos ruins, sejam eles profissionais, familiares ou afetivos, sãos onde esse tipo de solidão nos espreita. O bote é certeiro, não há quem escape, senão os que nos vitimam, eles também, quiçá vítimas e vitimadores "em série", que perderam as lembranças de suas prórpias máculas.
Todos nós já vivenciamos este tipo medonho de solidão, em algum momento de nossas curtas existências.
Outra é a solidão silenciosa, e pode ser boa ou má, dependendo de como chegou a nos afetar.
Se buscamos essa solidão, se nela nos refugiamos, quer para refletir, quer para ouvirmos sua eloqüência, ela nos parece acolhedora, e até reconfortante. Afinal, melhor só do que desacompanhado.
Já experimentaram silenciar por dias, programaticamente, com propósito ? Essa é uma experiência única. Nós rosacruzes somos, a miúde, conclamados a retiros de silêncio, construímos até um local dedicado a esses momentos, quer em nossos lares, quer em nossas mentes.
Você pode fazer o mesmo.
Aqui vai uma sugestão de método:
- escolha uma hora do dia, se der, sempre a mesma hora, lembre-se ela é só sua e de mais ninguém, tenha consigo algo em que possa tomar anotações rápidas;
- depois escolha um lugar, pode ser qualquer lugar, público ou não, silencioso ou não, mas que esteja sempre à sua disposição, tome assento, deite-se fique em pé, não importa, sinta-se confortável;
- escolha uma imagem que tenha sido registrada em sua mente com esse só propósito ou que lá esteja por acaso, mas que seja capaz de acalmá-lo, vamos chamá-la de "refúgio";
- transporte-se até este "refúgio" mentalmente, ou fisicamente, se ele estiver acessível, pode ser o mesmo lugar que você escolheu para experienciar sua solidão, não precisa fechar os olhos, mas se puder é melhor, mas não force suas pálpebras, deixe-nas descansar uma sobre a outra (cuidado com as rugas de expressão);
- tome três respirações de forma profunda, sinta o ar ir e vir pelas narinas, ou se quiser suspire ( alguém já disse que o suspiro existe para nos lembrar de que respiramos);
- ponha-se a admirar o "refúgio", seus atributos, sua beleza, a paz que ele lhe transmite, a sensação de cura e segurança;
- ouça o que o silêncio tem a lhe dizer no "refúgio";
- registre na mente e anote, imprima a imagem na alma e reforce a visão do refúgio antes de deixá-lo;
- retire-se do "refúgio" de forma silenciosa e respeitosa;
- agradeça ao Deus de seu coração por haver-lhe conduzido ao "refúgio", e por mantê-lo em ordem sempre que você necessita.
Se quiser, mande-me um relato dessa experiência.
Antes de terminarmos um conselho, liberte-se de tudo que lhe prive da boa solidão e do bom silêncio.
Lembre-se, a solidão por opção é nítida, podemos ver através dela, nos pertence, nós a geramos e gerenciamos. É a solidão do tempo que criamos, do templo que erigimos.
Namaste !

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