quinta-feira, 3 de setembro de 2009

DA HOSTILIDADE PASSIVA

Não há que se questionar que vivemos tempos dificeis, tempos em que se perdeu a noção e a sensação de amor proprio e que por isso o amor pelos demais e julgado coisa vã.

Um movimento, por todos conhecido, tomou conta de um povo e teve o condãode por amor transformá-lo em uma nação. Um gesto diante de um tear primitivo na arcana Baratha.

Um homem frágil, abandona sua banca de advocacia e se dedica ao cultivo da satyagraha (busca da verdade) e da desobediencia pacifica. Com um simples tear, erigiu uma nação.

Em tempos de guerra globalizada e individualismo, perdeu-se o conceito de ahimsa (não violencia), e da resistencia passiva passamos à hostilidade passiva.

Dia após dia massacramos nossos semelhantes com nobres instrumentos e sob o pálio da fragilidade e da autocompaixão.

Abandonamos a compaixão pelo outro, sentimento nobre e pregado em todas as religiões tradicionais, pela compaixão por nos mesmos. A noção de quididade se curva sobre ela mesma e consome as entranhas dos portadores do egoismo, e não lhes resta alternativa senão a de se apropriarem das entranhas e almas de seus semelhantes, num ritual barbaro de vampirismo espiritual.

Parece ironico, mas são os que deveriamos acolher que nos atacam, os que deveriamos educar que nos lecionam a má lição, trazendo amargura à já tão combalida humanidade.

Vejamos os casos das guerras, sob o pretexto de salvar nações homens e mulheres se lançam ao combate, retiram ditadores do poder e são retaliados pelas mesmas populações que viviam sob a mão pesada de seus algozes. Deveriamos deixar-los "em paz" ?

E os pobres, que deixaram a pobreza invadir-lhes o espirito, e que se cobrem de opróbrio como quem veste um glorioso manto de virtudes, como se o remédio para os seus males fosse aprofundar-se ainda mais na lama de sua desgraça.

São esses que nos atiram no rosto, de volta nossa compaixão, e nos deixam perplexos diante da grandiosidade da inversão de valores que o mundo vive, ou sobrevive.

Porvetura, achará fé na terra o Filho do Homem quando a ela retornar, questionou o Mestre de todos os mestres, e aqui me pergunto será que encontrará, sequer compaixão.

Dia após dia nos deixamos picar pela serpente do odio e espalhamos passivamente o mal, semeando uma trilha de desesperança e desamor, quando negamos ao outro a paz que ele merece, ou um simples e sincero bom dia.

Quando damos com a porta na cara de quem nos acolhe, como que nos apossando do direito que o outro tem de ser generoso e fazer o bem.

Quantos Isaacs e Adrianas, vamos precisar para formar na terra uma colonia de homens e mulheres de boa vontade.

Esse post foi feito para REFLEXÃO, E NÃO PARA SER RESPONDIDO.

Obrigado pela leitura !

Um comentário:

Margot Vieira disse...

Esta não é uma resposta, é uma reflexão.

Ontem assisti a um filme de 1950 onde o tema central era a marginalização dos excluídos (Os Esquecidos), hoje de manhã, ao colocar minhas leituras em dia, me deparo com este seu texto!

Por certo terei no que refletir nos proximos tempos...

(e a palavra de verificação para validar o comentário não podeira ser melhor "pieta")